Manifesto Zum de Mapuí

O terreno no qual a Zum de Mapuí espalha suas raízes é o da Inclusão.

No contexto atual em que vivemos, a tecnologia permite uma interconexão instantânea entre as pessoas dando, assim, rosto e voz a muitos que outrora não tinham oportunidade de se expressar. O diferente muitas vezes nos desafia e, paradoxalmente, vários indivíduos acabam se fechando em bolhas sociais, auxiliados pelos algoritmos que filtram para eles tudo o que é diverso, o que afasta o incômodo mas, também, a oportunidade de aprendizado. Nessa teia complexa, o conceito de inclusão não se restringe mais aos tipos físicos como a cor da pele ou diagnósticos, mas, também, às ideias e culturas.

Na sonoridade da Zum de Mapuí, reverberam as premissas de pensadores como Gilles Deleuze, Félix Guattari e outros, em uma busca de coesão pela diversidade. São filosofias que permeiam a essência do grupo, que se propõe a ser mais do que um simples conjunto musical, mas um reflexo da pluralidade cultural e da interconexão de tradições.

No palco, os integrantes Marinosa, Kamba Kawara e Dani Galeano personificam de maneira marcante a diversidade étnica, cada um assumindo um papel único dentro das multifaces da banda. Movendo-se habilmente entre línguas e estilos musicais diversos, eles encapsulam a essência da miscigenação cultural presente em suas composições. A performance da banda não é apenas um espetáculo musical, mas uma representação tangível da inclusão, da desterritorialização, da multiplicidade, da transculturação e da importância do diálogo intercultural. 

O repertório traz misturas improváveis como: Roberto Carlos com Glória Groove, trompete com djembe e Besame Mucho com Subirosdoistiosin – conceito que se repete também nas músicas autorais. A pesquisa musical da banda busca uma mistura de estilos que vão desde o samba e o rock tropicalista, até músicas psicodélicas e ritmos afros e indígenas, resultando em uma música híbrida brasileira que reflete a riqueza e diversidade cultural do país. 

Em meio a uma realidade de constante transformação e interação global, a arte da Zum de Mapuí ressoa como um farol de esperança, recordando-nos que é na diversidade que encontramos os laços que nos unem como seres humanos. Os integrantes da banda acolhem o desafio de abraçar o diverso, ultrapassar barreiras e celebrar a riqueza das diferenças que nos definem como coletivo.

Que a música da Zum de Mapuí se torne uma lembrança constante de que é justamente num cenário de diversidade e multiplicidade que reside a essência da humanidade em sua forma mais autêntica e genuína. Em cada melodia entoada e em cada verso cantado, ecoam os princípios de um mundo onde a pluralidade atua como agente transformador, promovendo a inclusão, a empatia e o entendimento mútuo. 

Assinado, Zum de Mapuí.